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Spaces home FÁBIO PIRAJÁ Φ ॐ - Locuç...PhotosProfileFriends | ![]() |
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March 06 TijoloSurgi do caos Cortei universos De mil explosões Qual meteoro Disparei como bala Curvei planetas Rocei estrelas Cacei cometas Circundei a Terra Planei na órbita Na mesosfera Feito poeira Caí do céu Pousei na praia Enterrei na areia Rolei na água Sequei no sol Pensei ser pólen Em vez de grão Soquei monjolo Moí no rolo Virei tijolo Miúdo Morri num muro. (de Fábio Pirajá) A capixabaAlvorece na capixaba O cabelo voa no vento A maré alta riscou o Penedo Na água dura que desce do porto Corre lisa a canoa do moço Esquiva da onda praieira O mariscador pega o rumo Num barco maior que piroga O compadre segue de ponga Mais de cem garatéias O barco lança à lonjura Num cardumim de manjuba A lenha estala na choça Aquece o coração de quem chora O setentrião venta frio na roça Tremelica um tiquinho a cabocla Que desde cedo lida na eira Com uma saudade na boca O taludo foi-se pro mar Deixou a cabocla no fazimento Mamada de pensamento Do beijo da madrugada Só cessa o perrengue Quando seu homem chegar Ela coze muchá pro vetusto Balde com água pro budigão Farinha pra endurar o pirão E comer no casco do goiamum Com moqueca de sururu Lenha, panela de barro e angu. (de Fábio Pirajá) O PescadorOnde nasceu esse homem? Dizem que foi Galileu Para Messias foi enviado por Deus Que teria nascido em Belém Quem forjou esse homem? Terá sido o Deus Salvador O próprio homem Ou o fiel seguidor Quando nasceu esse homem? No primeiro século Há dois mil anos idos Nesses anos passados Como cresceu esse homem? Foi criança prodígio Como o pai, carpinteiro Mas fez da palavra o ofício Como viveu esse homem? Pescador de outros homens Purificador das almas Andador de águas Quem terá sido esse homem? Quem sabe um feiticeiro De alguma tribo, um xamã Ou talvez curandeiro O que terá feito esse homem? Curador de males Ressuscitador de corpos Renascido dos mortos O que pensava esse homem? Que enfrentou sacerdotes Desafiou o império Derrotou o diabo Como pregava esse homem? Contador de histórias Que narrava parábolas Que fazia vinho e pães Como sofreu esse homem? Que sangrou ao flagelo Suportou o martírio Sucumbiu ao calvário Como morreu esse homem? Traído na noite Negado por todos Cravado na cruz Seria ele o filho de Deus Que ora vive nos céus Cercado de anjos Ao lado do Mestre? Pescou-me esse homem? (de Fábio Pirajá) February 06 AtroO ocaso derrama na tarde incompleta Um manto noturno de cor violeta No firmamento cruzam cometas Constelações que cospem gametas Engravidam-se signos com mortais piruetas Irrompe o mar o sol de Regência No ventre das cores de matizes magenta Escala os céus de anis opulências A indelével manhã revela a existência Dessas alvas nuvens que se dissolvem lentas A noite se foi para o outro lado do mundo Despertou suas luas a espiar o crepúsculo Nas ardilosas rapinas nos descampados profundos Assaltos inférteis nesses vácuos rotundos Liquefazem os ossos dos meus submundos O dia descerra a luz nas campinas Um clarão que se esconde atrás das cortinas Que cega de brilho as cruas retinas Injeta agulhas que curam vacinas Nos olhos inchados de quem vaticina Volta a tarde a trazer mil fantasmas De asas caídas que assombram caçadas Nos territórios afora de minhas alçadas Sobrevôo a deixar solitárias pegadas Nessas ruas calçadas de noites descalças Nas portas que cravam seus dentes na presa Pelas gretas que dobram os papéis na gaveta Com as linhas em branco onde navegam canetas Liberto, afinal, os meus breus pensamentos E expurgo de todo meus atros momentos. (de Fábio Pirajá) February 01 Poesias de Fábio Pirajáhttp://recantodasletras.uol.com.br/autores/pirajax http://www.usinadaspalavras.com/verautor.php?id_autor=2234 http://www.mardepoesias.com.br/poetas_mar_ler.php?poeta=638 http://www.planetaliteratura.com/index.php?view=artigos&colunista=1089 http://www.textolivre.com.br/joomla/index.php? option=com_comprofiler&Itemid=42 MusasDeusas que navegam meus mares Eneagonais divindades Musas de todas as artes Inspiradoras das minhas verdades Vivem nos céus do Olimpo Sob as forças de Apolo Filhas de Zeus e Mnemosine Deus dos deuses e a mãe da memória A voz de Calíope, musa das épicas poesias Sobre as outras impõe supremacia Eloqüente mãe de Orfeu Ornada em grinaldas de ar majestoso Empunha trombeta com coroa de ouro Clio dá-me a fama Musa da história de trombetas eternas Pergaminhos e livros carrega Com seu relógio de água e coroa de louros Acompanha o tempo e descansa no globo Coroada de flores, Euterpe Musa das poesias líricas Traz júbilo e alegrias Deusa dos papéis de música Das partituras e flautas Érato, que o desejo desperta Musa da poesia de amor Versos eróticos canta a ninfa Coroada de rosas com o arco e a lira Enquanto beija-lhe os pés o amor Terror e piedade têm Melpômene Musa da Tragédia De máscara trágica de grave semblante Canta com rico vestido e coturnos Empunha folhas de videira Pensativa Polímnia Musa que narra histórias Canta lindos hinos sagrados Com vestido branco, véu no rosto Com o dedo na boca medita Festiva é Talia Musa da Comédia Coroada de hera com seu clarim Segura o cajado e máscara cômica Calçada de borzeguins Terpsícore adora bailar Musa da dança Coroada em grinaldas toca a lira Na cadência dos passos e rege o coral A mãe das Sereias Urânia é a celeste Musa da Astrologia Vestido azul-celeste coroada de estrelas Com seu globo a medir com compasso Astrônomos e Astrólogos pedem inspiração. (de Fábio Pirajá) January 29 PecadosMuito além dos sete são meus pecados Capitais, infindáveis são minhas faces, Laterais, vícios que me infestam, vesperais Mais de mil os meus demônios, homônimos Milhões são os hormônios, leis que não transigem E assim só me resta transgressão
A soberba me sobe os telhados Altos, esgrimam meus orgulhos Mirrados, destelham minhas vaidades Incautas, isola-me aos cantos Escuros da ignorância onde Ainda incita-me arrogante
Essa gula monstruosa que mastiga Pelas bocas, as minhas mentiras engolidas Feito sapos pela goela, que descem as gargantas Carcomidas pela fome que me consome aos bocados, Castiga-me subitamente os predicados Enjoa-me esses estômagos fatigados
A preguiça cochila em minhas redes Abraçada a essas negligentes horas Cansadas, nos desanimados momentos De pecaminosa indolência, nos ócios reptilianos Avessa aos ônus, de cabeça jogada Nessas letárgicas ancas desleixadas
Tenho inveja imponderável, soberana das Minhas ambições, vontades, dos meus objetos Desejados, possuidora dos meus ciúmes Inegáveis, minhas cobiças calejadas, desgostos Sofridos dos sucessos alheios, objetivos Malditos, minhas trágicas covardias A Avareza me consume aos potes de ouro Dos meus pescoços secos das riquezas Nobres desses seres mesquinhos, miseráveis corpos Mortos pela fome na mão do avaro dos dinheiros Lacrados em meus cofres desencadeados lotados
De amarguras sovinas do meu caráter módico A Luxúria violenta-me loucamente Consome o meu corpo, meu sexo aprende A suar na febre alta de lascívia, insaciável Tesão animal que corre em minhas mentes Que explode em prazeres carnais e afoga-me
Na sensualidade, em selvageria sexual Enfim, tomado pela Ira das bestas, pela Raiva incontida nos peitos, a alma clama Pelo fio frio da navalha, pela vingança das lutas Perdidas, dos ódios de minhas feridas que rugem De fúria nas penúrias dos meus rancores,
Cravados no peito cheio de cólera a espera da punição Ínfimos são meus sete pecados capitais Pois em mim vivem sete mil culpas mortais Ocultas em minhas personalidades tão múltiplas Em minhas dúvidas obscuras de Jekyll Em minha insanidade crua de Hyde Nos meus temores mais profundos. January 24 OrgasmosMovem-se céus Contorcem-se terras Entre braços, abraços, pernas Tornamo-nos feras Na jornada ao paraíso De milhões de delírios Gritos contidos E sussurros gemidos Deslembrados os gêneros Além dos critérios Dos prazeres efêmeros Desejos etéreos Cruzei vis desertos Em busca dos veios A curar minhas sedes Infindáveis joguetes Escalei mil montanhas Íngremes subidas Orvalhadas entranhas Fendas feridas Depois dos espasmos Ouvidos estalos Os cumes roçados Intangíveis orgasmos Enfim, imerso em luxúria Aquém das lamúrias Ilhei-me nos êxtases De tuas canduras. (de Fábio Pirajá) January 22 UmbigoAo cortar-se o umbigo Ao traçar-se sentido Ao tocar-se o monstro maldito Ao julgar-se vencido (de Fábio Pirajá) January 17 RetiroNesse desolado retiro De infinitos castigos Engoli sacrifícios Malfadados arbítrios Sucumbi aos martírios Aos ruídos espíritos E inimigos benditos Espiei os ilícitos Pelos vãos orifícios Esqueletos do ofício Da vida em perigo E maltrapilhos mendigos Seres curtidos Alienados malditos. (de Fábio Pirajá) January 16 PoitaLancei âncora Em águas nunca navegadas Lancei mão Abandonei as armas Nas areias esculpi pegadas Nessas terras distantes De luas brilhantes Num solitário instante Perdi de encontrar-me De fazer pazes Afoguei-me em gritos Entre seres malquistos De olhos sumidos De dentes caninos Sem esquadra ou abrigo No limite da dor Com esperanças varridas Entre a luz e as feridas A morte e a vida Encalhei-me a deriva Náufrago irreal Na tempestade real Pesadelos povoados De fantasmas rogados Demônios assombrados Sem estradas ou saídas Quaisquer sons na partida Só milhares de milhas Almas desaparecidas Existências perdidas Todavia Um facho havia A cortar as vidas Sopro de alento, poita Nessas entranhas carcomidas. IdaVou-me embora Tão logo parta a noite Que me engulam vórtices O invisível me açoite A sorte vislumbre a morte Ou me cegue a treva Vou-me hoje Nessa madrugada inerte Que toca os vértices Que se move em tese E de fato mede A minha mão que tange Vou-me agora Fui-me ontem Fui-me nunca Achei ter ido (de Fábio Pirajá) January 15 PontoA que ponto chegamos. Por que não nos mostramos A que ponto chegamos. Por que não nos encontramos A que ponto chegamos. Por que não nos entedemos Madeira sem leiEm doido a dar o pau Nos talos de Jacareúba Brotam vegetais E flor de olor peluda Tronco de Jacarandá Árvores de casca grossa Na copa dependurados em galho Floresta densa e fria Desabrocham florais do Ipê Pelo Cedro em sulcos corre a resina Ergue-se o tapume em varas Matagal de erva daninha Alameda nos caminhos (de Fábio Pirajá) January 10 Marrom Essa pele tão morena Tão macia de veludo Na verdade é teu escudo Mulher trigueira O marrom da tua pele De nada me impede Desvia-me sem cuidado A cor da tua tez Onde perdi a sensatez O gosto desse pêssego Traz de súbito à lembrança Um estouro de pujança Deslizo as minhas mãos Por entre as curvas de feitiço Venero vulnerável o teu viço Tua face tão lisa Como a fruta de frescor Logo a mim queima de ardor Olhos negros no semblante Da mulata de escrava Miram correntes de senzala Urdem prender-me num estalo Nos grilhões sem mais visão De alforrias ou condão No teu fogo eu perdi O meu vício no escuro Nessas vozes nesses muros. (de Fábio Pirajá) January 09 LocutórioO mundo conspira aleatório Na soma dos meus temores irrisórios Afinal me impele ao parlatório Meu vexatório No furor do meu ópio Afogado em meu próprio ócio No fogo cruzado dos meus ódios Penoso manter-me sóbrio Com esse carácter módico E as mãos sujas de tóxico Careço confessar-me Sem luz no locutório Começar a desvelar-me E evitar o purgatório Careço confessar-me. (de Fábio Pirajá) A casa da mãe JoanaMenino eu não entendia a casa da mãe Joana Da minha
janela via todo dia Que diabos no
sobrado havia? Mãe Joana
hospedava lá umas moçinhas De tarde no
terraço espiavam o movimento A mãe Joana
devia mesmo saber das coisas Homens e bengalas
surgiam quietos Certa noite
houve um pandemônio Queria saber
do marido A mulher
não engoliu - O que
estaria fazendo aqui o seu marido? Fugiram sem
terno os homens pelo beco lá nos fundos Era quase
meio da noite Contavam-se
casos da cidade ouriçar (de Fábio Pirajá) As três praiasO nordeste incessante da
Guaibura Lá, com vinte e poucos
anos Pescador de faca na
bainha Saía só pela Peracanga Esperava o pôr-do-sol à
tardinha Havia um furor na enseada A noite guardava as
surpresas Dentro de mim havia O que seria? Meu pensamento ainda vaga (de Fábio Pirajá) Um ser tocadoTenho estado calado Em meu quarto trancado Com meus vis pecados
Busquei com
todo o cuidado Hoje vivo num campo
minado Queria ser um
ser alado Nunca mais ser
atado E sentir-me assim
irado Quando fui
logrado Pensei haver
pensado Estava muito
errado O coração tomado Devia ter bradado Devia ter
xingado (de Fábio Pirajá) Desdém de mimAfligias a mim De súbito desfizeste
de mim Com tal maldade Indefeso
jogado a esmo Maldisseste sem
medo De que vale a
paixão E agora? De
mim o que será? Tu que ainda não
sabes Em vão vagas tu
sem volta |